Caro(a) Leitor(a);
O BRICS é um agrupamento intergovernamental das principais economias emergentes, que começou com Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e desde então se expandiu para um bloco mais amplo. Seu objetivo é dar ao mundo em desenvolvimento (o “Sul Global”) uma voz mais forte no comércio, nas finanças e na política globais, e construir alternativas às instituições dominadas pelo Ocidente. Para a Índia, o BRICS é uma das várias plataformas que utiliza para promover um mundo multipolar, ao mesmo tempo que busca um equilíbrio cuidadoso em seus laços com os Estados Unidos e o Ocidente.
O que é o BRICS e o que significa esse nome?
O BRICS é um grupo informal de grandes economias de mercado emergentes que coordenam ações em questões econômicas e políticas. Não é uma organização baseada em tratados como as Nações Unidas, nem uma aliança militar como a OTAN, e não possui sede permanente ou carta constitutiva. Em vez disso, funciona por meio de uma cúpula anual de líderes, reuniões regulares de ministros e autoridades, e uma presidência rotativa que passa de um membro para outro a cada ano.
O nome é um acrônimo formado pelos membros fundadores:
- B — Brasil
- R — Rússia
- Eu — Índia
- C — China
- S — África do Sul
A sigla BRICS significa, portanto, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O termo começou como "BRIC" (sem o "S") e só ganhou a letra final quando a África do Sul aderiu. Hoje, o bloco cresceu e vai além desses cinco países, mas manteve o nome BRICS como uma marca reconhecida, em vez de ficar constantemente reescrevendo a sigla.
Ponto principal: o BRICS é uma coalizão informal, não uma instituição formal. Não há carteira de membro, tratado vinculativo ou exército compartilhado — os membros cooperam onde seus interesses coincidem e seguem seus próprios caminhos onde não coincidem.
Membros do BRICS e a recente expansão
Por mais de uma década, o BRICS teve exatamente cinco membros. Isso mudou com uma grande expansão decidida na cúpula de Joanesburgo de 2023, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2024 e foi seguida por novas adições. O grupo agora abrange a Ásia, a África, a América Latina e o Oriente Médio, o que explica, em parte, por que ele é cada vez mais descrito como a voz do Sul Global.
Os cinco membros fundadores
Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul continuam sendo o núcleo do bloco. Juntos, eles incluem a democracia mais populosa do mundo (Índia), a segunda maior economia do mundo (China), o maior país em área territorial (Rússia) e as maiores economias da América Latina (Brasil) e do continente africano (África do Sul).
Os novos membros
A expansão trouxe diversos países do Oriente Médio e da África, além da Indonésia, a maior economia do Sudeste Asiático. A tabela abaixo resume a composição do BRICS em 2026. Como o BRICS funciona por consenso e alguns convites foram tratados de forma diferente por cada país, alguns casos merecem destaque.
Dois casos a destacar: a Arábia Saudita foi convidada na expansão de 2023, mas tem demorado a aderir formalmente como membro pleno, sendo frequentemente descrita como ainda a ponderar a decisão. A Argentina também foi convidada, mas, após uma mudança de governo, optou por não aderir. O BRICS criou ainda um nível mais amplo de "países parceiros" para que as nações interessadas possam interagir com o bloco sem se tornarem membros plenos de imediato.
Uma breve história: de uma sigla bancária a um bloco.
O BRICS é incomum porque começou como um termo técnico do mercado financeiro. Em 2001, Jim O'Neill, então economista do Goldman Sachs, cunhou o termo "BRIC" em um artigo de pesquisa para descrever quatro grandes economias emergentes — Brasil, Rússia, Índia e China — que, segundo ele, remodelariam a economia mundial nas décadas seguintes. Era um rótulo de previsão para investidores, não um projeto político.
Os quatro países então transformaram o termo em realidade. Seus ministros das Relações Exteriores começaram a se reunir em meados dos anos 2000, e a primeira cúpula completa dos líderes do BRICS foi realizada em 2009 em Ecaterimburgo, na Rússia. A África do Sul foi convidada a participar logo depois, comparecendo à sua primeira cúpula como membro em 2011, e a sigla passou a ser BRICS.
Durante a década seguinte, o grupo estabeleceu uma rotina de cúpulas anuais e grupos de trabalho, e lançou suas próprias instituições financeiras. A mudança mais drástica ocorreu entre 2023 e 2025, quando o BRICS abriu suas portas para novos membros pela primeira vez em anos, praticamente dobrando o número de integrantes e adicionando grandes produtores de energia e nações populosas.
Quais são os objetivos do BRICS?
O BRICS não possui uma declaração de missão única e vinculativa, mas, ao longo de suas declarações de cúpula, emergiu um conjunto consistente de objetivos. Em termos simples, o bloco deseja que o mundo emergente tenha influência proporcional ao seu tamanho em termos de população e produção.
1. Reformar a governança global
Uma das principais reivindicações é a reforma das instituições pós-Segunda Guerra Mundial — o Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial — que, segundo os membros do BRICS, ainda super-representam o Ocidente e sub-representam o mundo em desenvolvimento. A Índia, por exemplo, há muito tempo pressiona por um assento permanente em um Conselho de Segurança da ONU reformado.
2. Criar alternativas financeiras
Em vez de depender exclusivamente de credores liderados pelo Ocidente, o BRICS criou seu próprio banco de desenvolvimento e uma reserva de emergência (ambos explicados na próxima seção) para que os membros e outros países em desenvolvimento tenham fontes adicionais de financiamento.
3. Impulsionar o comércio e reduzir a dependência do dólar.
Os membros desejam negociar mais entre si e, sempre que possível, liquidar parte dessas transações em suas próprias moedas, em vez do dólar americano. Essa é a origem do tema muito discutido (e frequentemente mal compreendido) da “desdolarização”.
4. Coordenar o Sul Global
O BRICS se posiciona cada vez mais como porta-voz dos países em desenvolvimento em questões como financiamento climático, segurança alimentar e energética, acesso à tecnologia e alívio da dívida — áreas em que esses países sentem que suas preocupações são marginalizadas em fóruns dominados pelo Ocidente.
O Novo Banco de Desenvolvimento e a CRA
As conquistas mais concretas dos BRICS são duas instituições financeiras criadas em meados da década de 2010. Juntas, elas foram concebidas para oferecer aos membros alternativas ao Banco Mundial e ao FMI.
O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD)
O Novo Banco de Desenvolvimento — por vezes chamado de “Banco dos BRICS” — foi criado pelos cinco membros fundadores e tem sede em Xangai, na China. Entrou em operação em 2015 e concede empréstimos para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável, como estradas, água potável, energia renovável e transporte urbano nos países membros.
O banco foi deliberadamente criado de forma que os membros fundadores detivessem participações iguais, em vez de um único país dominar — um contraste com as estruturas de votação do FMI e do Banco Mundial, criticadas pelos países do BRICS. Sua liderança é rotativa: o indiano KV Kamath foi seu primeiro presidente, e a ex-presidente brasileira Dilma Rousseff assumiu o cargo posteriormente. O NDB também começou a admitir países não pertencentes ao BRICS como membros, ampliando seu alcance para além dos cinco membros originais.
O Acordo de Reserva Contingente (ARC)
O Acordo de Reservas Contingentes é uma rede de segurança financeira — na prática, uma reserva cambial da qual os membros fundadores podem recorrer caso enfrentem uma crise de liquidez ou de balanço de pagamentos de curto prazo. Foi criado com um montante inicial de US$ 100 bilhões e tem como objetivo fornecer uma alternativa ao recurso direto ao FMI em caso de crise.
Em resumo: o Novo Banco de Desenvolvimento concede empréstimos para projetos de longo prazo, como infraestrutura, enquanto o Acordo de Reserva Contingente é uma reserva emergencial para problemas cambiais de curto prazo.
O debate sobre a moeda dos BRICS e a desdolarização
Poucos assuntos relacionados aos BRICS geram tantas manchetes — e tanta confusão — quanto a ideia de uma “moeda dos BRICS”. Portanto, vale a pena esclarecer o que existe e o que não existe.
O que está realmente acontecendo?
A partir de 2026, não haverá uma moeda única dos BRICS em circulação. Não existe um "dólar dos BRICS" que você possa guardar, nem um banco central comum como o da zona do euro. O que os membros estão fazendo, na verdade, é mais modesto:
- Comércio em moeda local: liquidação de algumas transações comerciais bilaterais em suas próprias moedas (por exemplo, pagamento em rupias, yuans ou rublos) em vez de converter tudo em dólares americanos.
- Sistemas de pagamento: explorando maneiras de conectar seus sistemas nacionais de pagamento e mensagens para que as transferências internacionais sejam menos dependentes da infraestrutura financeira ocidental.
- Discussão, não decisão: debater ideias de longo prazo — por vezes apelidadas de cesta “R5”, em referência às moedas que começam com a letra R — sobre como reduzir a dependência do dólar, sem se comprometer com uma moeda comum.
Por que a “desdolarização” é superestimada
A "desdolarização" significa simplesmente reduzir a dependência do dólar americano no comércio e nas reservas. Os membros do BRICS têm razões para desejar isso: reduz os custos de transação e, para países que enfrentam sanções ocidentais (como a Rússia e o Irã), oferece uma alternativa. Mas uma moeda compartilhada genuína exigiria que os membros harmonizassem suas políticas econômicas e confiassem profundamente uns nos outros — algo que rivais como a Índia e a China estão longe de fazer. Portanto, a maioria dos analistas considera realista o aumento gradual do comércio em moeda local e improvável a criação de uma moeda única do BRICS no curto prazo.
O papel da Índia no BRICS
A Índia é um dos membros fundadores do BRICS e um dos mais influentes, mas adota uma postura distinta e cuidadosamente equilibrada em relação ao bloco.
Um fundador e um definidor de agenda.
A Índia já sediou cúpulas do BRICS no passado e utiliza a plataforma para impulsionar prioridades importantes para o país: a reforma do Conselho de Segurança da ONU, a cooperação no combate ao terrorismo, o financiamento para o desenvolvimento, a infraestrutura pública digital (área em que os sistemas indianos semelhantes ao UPI são motivo de orgulho) e a causa mais ampla do Sul Global. A Índia presidirá o BRICS e sediará a cúpula em 2026, o que lhe dará uma nova oportunidade de moldar os rumos do bloco.
O ato de equilíbrio
A política externa da Índia se baseia na “autonomia estratégica” — a ideia de manter suas opções em aberto em vez de se comprometer com um único bloco. Assim, embora participe ativamente do BRICS ao lado da Rússia e da China, a Índia também é membro do Quad (com os Estados Unidos, o Japão e a Austrália) e mantém fortes laços comerciais e tecnológicos com o Ocidente. Portanto, a Índia tende a favorecer o BRICS como um fórum para o desenvolvimento e a reforma, e a resistir a qualquer caracterização do BRICS como uma aliança “antiocidental” ou antidólar.
O fator China
Do ponto de vista da Índia, a dinâmica mais complexa dentro do BRICS é a China. Os dois países são concorrentes econômicos com uma disputa de fronteira não resolvida, e a Índia teme que o BRICS se torne um instrumento de influência chinesa — por exemplo, na velocidade e no alcance da expansão do bloco, ou na sua inclinação para o confronto com o Ocidente. A Índia, em geral, defende que o BRICS permaneça um grupo construtivo e baseado em consenso, em vez de um bloco dominado por Pequim.
Resumindo, a posição da Índia em relação ao BRICS: entusiasmo por reformas, financiamento para o desenvolvimento e um mundo multipolar; cautela em relação à desdolarização, à postura antiocidental e à expansão excessivamente rápida que poderia permitir que um único membro dominasse.
Voz de Lapaas
Para saber mais, mantenha-se visitando esse Blog e acesse o link abaixo>
https://infobrics.org/en/post/102584/
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Em outubro de 2014, ingressou no projeto S'Cool Ground Observation, que integra o Projeto CERES (Clouds and Earth’s Radiant Energy System) administrado pela NASA. Posteriormente, em setembro de 2016, passou a participar do The Globe Program / NASA Globe Cloud, um programa mundial de ciência e educação com foco no monitoramento do clima terrestre.
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