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terça-feira, 23 de junho de 2026

Interesse global por minerais críticos é oportunidade para Brasil transformar riqueza natural em estratégia industrial

Caro(a) Leitor(a),






Área de extração de nióbio em Araxá, Minas Gerais: além deste, território brasileiro dispõe de reservas significativas de lítio, grafite, manganês, níquel e silício. Desafio é ampliar a capacidade de agregação de valor a estes elementos químicos, especialmente através das etapas de refino e transformação industrial. Foto: Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) / Divulgação

Interesse global por minerais críticos é oportunidade para Brasil transformar riqueza natural em estratégia industrial

A corrida global pela transição energética inaugurou uma nova disputa geopolítica e industrial em torno dos minerais críticos. No Brasil, essa questão ganhou urgência com a aprovação do Projeto de Lei 2.780 pela Câmara dos Deputados, que propõe um marco legal para minerais críticos e estratégicos. No entanto, o texto aprovado apresenta ambiguidades importantes que podem limitar o potencial de indução de cadeias estratégicas e agregação de valor no segmento.

O problema é que, se mal calibrado, o marco legal pode direcionar incentivos para atividades de baixa complexidade tecnológica, com capacidade reduzida de induzir cadeias estratégicas, agregação de valor e desenvolvimento socioeconômico mais robusto.

Isso se deve principalmente à noção de “processamento” incluída no texto, excessivamente ampla e que não faz a distinção entre etapas de beneficiamento mineral e transformação industrial. Essa ambiguidade abre espaço para interpretações que podem direcionar os incentivos previstos na legislação para atividades de menor complexidade tecnológica, criando um risco real de alocação ineficiente de recursos.

Na ausência de critérios claros que priorizem etapas do downstream das cadeias de minerais críticos, a política pode resultar em ganhos incrementais no processamento mineral, sem necessariamente induzir a industrialização das cadeias estratégicas associadas.

Isso é o que se verifica hoje, por exemplo, no caso do quartzo, que serve de base para a cadeia do silício. Amplamente disponível no país, o material é exportado minimamente processado - muito distante, portanto, das etapas de maior pureza e valor agregado que servem de base para a produção de painéis solares, semicondutores e outros equipamentos de alta tecnologia.

Posição privilegiada

O território brasileiro dispõe de reservas significativas de terras-raras, grafite, manganês, nióbio, níquel, silício e lítio, insumos cada vez mais demandados pela indústria de baterias e para eletrificação, entre outras infraestruturas e tecnologias de baixo carbono. Essa diversidade confere ao país uma posição privilegiada no cenário internacional.

No entanto, isso só não basta. A nova economia mineral tem que ser definida menos pela capacidade de extração do que pela agregação de valor, especialmente através das etapas de refino e transformação industrial.

O gargalo da economia global de minerais críticos não é geológico, mas industrial. Minerais como silício, manganês, cobre e zinco não são escassos; o que está concentrado em mais de 80% nas mãos da China são o processamento e o refino.

O Brasil reúne dois ativos que poucos países combinam: energia renovável abundante e carbono biogênico. Ambos são insumos críticos para as etapas de refino de minerais. Com eles, o país pode atrair investimentos internacionais e capturar valor nas cadeias industriais da transição energética, desde que a legislação seja precisa, e a regulação, clara.

Transformar essas vantagens em desenvolvimento socioeconômico impõe, no entanto, um duplo desafio. No plano interno, exige capacidade de planejamento, coordenação institucional e definição clara de prioridades. A principal delas é promover, de forma seletiva e estratégica, etapas de maior agregação de valor, como processamento, refino e transformação industrial, de acordo com a viabilidade econômica, energética e tecnológica de cada cadeia.

Já no plano externo, é necessário construir parcerias que não se limitem à atração de investimento, mas viabilizem desenvolvimento tecnológico, acesso a mercados e inserção mais qualificada do país.

Caso ignore esses desafios, o Brasil poderá seguir numa rota mais fácil, mas muito menos vantajosa, de ampliar sua presença nesse mercado apenas como exportador de matérias-primas e etapas de baixo valor agregado. Em contrapartida, investir em processamento, refino, materiais avançados e, quando fizer sentido, na fabricação de componentes, pode abrir caminho para uma industrialização verde mais densa, com cadeias produtivas complexas e maior capacidade de captura de valor no território nacional.

Novas oportunidades

A ampla disponibilidade de energia renovável no país abre um leque de oportunidades, especialmente para as etapas de refino de minerais críticos. A energia renovável não é apenas um ativo isolado, mas um insumo crítico para o processamento de minerais críticos. Combinada com o carbono biogênico disponível no país, cria-se uma vantagem competitiva única para atrair investimentos internacionais em refino e transformação industrial de minerais, desde que a legislação seja clara e a regulação previsível.

É relevante o contraste com a China, que, embora lidere as etapas de refino desses minerais (concentrando mais de 80% do processamento global), ainda conta com uma matriz elétrica muito baseada em combustíveis fósseis. Essa concentração do refino na China representa tanto um risco geopolítico para a economia global quanto uma oportunidade para o Brasil, que pode diversificar as cadeias de suprimento através de refino de baixo carbono alimentado por energia renovável.

A janela de oportunidade existe, mas seu aproveitamento depende de escolhas concretas: avanço regulatório, expansão renovável competitiva e fim do desmatamento ilegal.

Ao mesmo tempo, o Brasil pode fortalecer ainda mais sua posição internacional ao liderar uma agenda regional em torno do tema. A integração latino-americana representa uma oportunidade para estruturar cadeias produtivas complementares, assim como a cooperação com países do Sul Global, particularmente a África do Sul.

O diálogo entre Brasil e África do Sul sobre minerais críticos para uma transição justa, realizado em Pretória em 30 de abril de 2025, durante a Presidência da África do Sul no G20, evidencia como países produtores podem estruturar parcerias estratégicas para fortalecer posições negociadoras em cadeias globais.

A proposta central é que minerais críticos catalisem o desenvolvimento socioeconômico dos países produtores, com a recomendação de que pelo menos parte do processamento desses materiais seja realizado onde eles são produzidos.

Essa agenda também precisa enfrentar a dimensão territorial do desenvolvimento. A riqueza mineral não pode se traduzir em enclaves econômicos desconectados das regiões onde os empreendimentos são instalados. Colocar os investimentos em prática de maneira legítima e estável depende da construção de pactos consistentes dentro e fora do país, com participação social, licenças sociais sólidas e mecanismos que assegurem benefícios concretos para as populações locais, como geração de empregos de qualidade.

Atrair capital produtivo e construir um ambiente de negócios coerente com as ambições do país exige clareza estratégica. A legislação em desenvolvimento precisa articular esses elementos com responsabilidade, para que os recursos do subsolo possam servir de base a uma industrialização verde, competitiva e socialmente justa.

Doutor em sustentabilidade, Universidade de São Paulo (USP); Instituto E+

Declaração de transparência

Clauber Leite é diretor do Instituto E+, think tank brasileiro independente que atua como policy influencer, conectando governos, indústria, sociedade civil e academia para pautar a transição energética como um vetor de desenvolvimento econômico e social do país.


Monica Tarantino, Editora 


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Fonte / Créditos:  The Conversation /  Publicado 19/06/2026

https://theconversation.com/interesse-global-por-minerais-criticos-e-oportunidade-para-brasil-transformar-riqueza-natural-em-estrategia-industrial-283876

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No "New Space Economy" você vai acompanhar os conteúdos relacionados a Nova Economia Espacial, "a Space Economy". Editei este Blog movido por uma convicção simples: as decisões de negócios mais importantes da próxima década serão influenciadas, direta ou indiretamente, pelo que está acontecendo a 400 quilômetros acima de nossas cabeças. O espaço já é a infraestrutura crítica da economia global. A economia espacial moderna sustenta quase todos os pilares da vida moderna na Terra O New Space Economy  é o seu terminal de dados para o que acontece acima da nossa atmosfera, agora traduzido para o idioma dos negócios.  Acesse aqui: https://newspaceeconomy.blogspot.com/

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Web Science AcademyHélio R.M.Cabral (Economista, Escritor e Divulgador de conteúdos de EconomiaAstronomia, Astrofísica, Astrobiologia Climatologia). Participou do curso Astrofísica Geral no nível Georges Lemaître (EAD), concluído em 2020, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Em outubro de 2014, ingressou no projeto S'Cool Ground Observation, que integra o Projeto CERES (Clouds and Earth’s Radiant Energy System) administrado pela NASA. Posteriormente, em setembro de 2016, passou a participar do The Globe Program / NASA Globe Cloud, um programa mundial de ciência e educação com foco no monitoramento do clima terrestre.


>Autor de cinco livros, que estão sendo vendidos nas livrarias Amazon, Book Mundo e outras

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domingo, 21 de junho de 2026

O IBGE divulgará, em 02 de julho, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Acesso à Internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal 2025

Caro(a) Leitor(a),






O IBGE divulgará às 10 horas do dia 02 de julho a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Acesso à Internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal 2025, com informações de domicílios com o sinal de televisão aberta; a existência de antena parabólica; a utilização de serviço de televisão por assinatura e de serviço pago de streaming de vídeo; a existência de microcomputador, tablet, dispositivos inteligentes e telefone (fixo convencional ou móvel celular) no domicílio, entre outros indicadores. No que se refere às informações das pessoas de 10 anos ou mais de idade, são apresentados aspectos da utilização pessoal da Internet; as finalidades e a frequência de tal acesso; o motivo principal de sua não utilização; e a posse de telefone móvel celular para uso pessoal.


Diretoria de Pesquisas
28 de maio de 2026



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Fonte / Créditos:  IBGE 

https://www.ibge.gov.br/novo-portal-destaques.html?destaque=46910

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Em outubro de 2014, ingressou no projeto S'Cool Ground Observation, que integra o Projeto CERES (Clouds and Earth’s Radiant Energy System) administrado pela NASA. Posteriormente, em setembro de 2016, passou a participar do The Globe Program / NASA Globe Cloud, um programa mundial de ciência e educação com foco no monitoramento do clima terrestre.


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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Copom reduz a taxa Selic para 14,25% a.a.

 Caro(a) Leitor(a),









O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências dos efeitos já materializados desses conflitos até o momento, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores mostra aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, com setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo, e mercado de trabalho ainda com sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura.

As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 5,30% e 4,10%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,7% no cenário de referência (Tabela 1).  

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada; e (iv) estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores correntes de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025, mantendo-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho.

Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções permanece mais elevada que o usual, em função da falta de clareza sobre a trajetória dos condicionantes dos modelos de projeção analisados.

O período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica. Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta.

Na avaliação do Comitê, o grau de restrição acumulado pela política monetária permite diferentes trajetórias de taxas de juros compatíveis com a convergência da inflação para a meta. Os modelos de projeção, utilizando essas trajetórias da taxa básica entre seus condicionantes, estão sujeitos a incertezas acima das usuais na conjuntura atual. Essas incertezas se somam ao cenário de choques de oferta, o que fundamenta a graduação, ao menos parcial, de seus efeitos sobre a dinâmica futura de preços.

Nas simulações atuais, a trajetória de política monetária necessária para assegurar a convergência da inflação à meta, no atual horizonte relevante, implicaria que as taxas de inflação projetadas a partir do horizonte relevante vigente na próxima reunião estariam situadas abaixo da meta. Nessas condições, o Comitê avalia que trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante a partir de sua próxima decisão, são compatíveis com a suavização na variação dos agregados macroeconômicos.

O Comitê julgou apropriado, nesse momento, dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, reduzindo a taxa básica de juros para 14,25% a.a.

No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, e Rodrigo Alves Teixeira.

Tabela 1

Projeções de inflação no cenário de referência

Variação do IPCA acumulada em quatro trimestres (%)

Índice de preços20264º tri 2027
IPCA5,23,7
IPCA livres5,33,7
IPCA administrados4,73,9

No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de R$5,10/US$, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses e passa a aumentar 2% ao ano posteriormente. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária “amarela" em dezembro de 2026 e de 2027. O valor para o câmbio foi obtido pelo procedimento usual.


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Fonte / Créditos:  Banco Central do Brasil / Publicado 17/06/2026 ás 18:59

https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/21165/nota

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