Caro(a) Leitor(a),
Agentes precificam mais uma alta de juros dos EUA após a nova disparada do petróleo, mas há ao menos quatro outras razões que ajudam a explicar o fenômeno - que é péssimo para o Brasil
O rendimento do título de 10 anos do Tesouro
americano, principal referência de juros do mundo, chegou a bater 5,04% ao ano
nesta semana, o maior nível desde julho de 2007, diante da expectativa de que o
Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) volte a elevar a taxa básica
nesta quarta-feira (16).
A explicação mais óbvia é a guerra entre Estados
Unidos e Irã, que já dura seis meses e mantém o petróleo Brent a quase US$ 110
o barril, pressionando a inflação em escala global. Mas o petróleo é só parte
da história: boa parte da pressão, na verdade, vem de fatores que se acumulam
há meses. Veja quais, e como esse movimento afeta o investidor brasileiro.
1. Dívida ‘impagável’ dos EUA
O governo americano deve fechar este ano fiscal com
déficit de 6% do PIB, o que significa gastar bem mais do que arrecada mesmo com
a economia crescendo e o desemprego baixo, situação em que normalmente se
esperaria o contrário. Para cobrir a diferença, o Tesouro dos EUA precisa
emitir dívida nova em volume crescente, e cada leilão exige encontrar alguém
disposto a comprar. O problema é que a própria dívida já acumulada ficou cara: quase um de cada cinco dólares arrecadados pelo governo americano
hoje vai para o pagamento de juros.
2. Escassez de compradores
Japão e China, os dois maiores detentores
estrangeiros, reduziram posições, enquanto os bancos centrais deixaram de
comprar títulos como faziam antes. Como se não bastasse, as gigantes de
tecnologia passaram a disputar o mesmo dinheiro, com emissões recordes ligadas
à corrida de investimentos em inteligência artificial.
Há também uma dinâmica similar à brasileira: os fundos de pensão estão comprando muito menos, com a
fatia média das carteiras caindo de perto de 40% para uma faixa entre 10% e
15%, segundo levantamento do Centre for Economic Policy Research. No lugar
deles entraram os hedge funds (os fundos
multimercados americanos), que hoje controlam uma fatia recorde de 7% do
mercado e costumam trocar de posição com mais frequência, o que deixa o mercado
mais sensível a qualquer sinal de nervosismo.
3. Expectativa de crescimento maior
Outra leitura é a de que o mercado já estaria
projetando uma economia mais forte e mais produtiva à frente por conta dos
ganhos da IA, o que elevaria naturalmente o juro considerado normal para a
economia, o chamado juro neutro. Para a Kapitalo, a combinação desses
fatores explica melhor o fenômeno do que, por exemplo, o temor com a capacidade
de pagamento do governo americano e a percepção de perda de credibilidade do
Federal Reserve. “Essas duas hipóteses são as que se mostram mais robustas à
análise dos dados e dos sinais de preços”, escreveu a gestora em carta
divulgada na segunda-feira (14).
4. Apetite por ações
Existe também um efeito mecânico. Historicamente,
quando o juro de 10 anos passa de um patamar próximo de 5,25%, ações e títulos
deixam de andar em direções opostas e passam a cair juntos, segundo análise do
estrategista Simon White, da Bloomberg Intelligence. Até agora, ter títulos na carteira
protegia o investidor quando a bolsa caía. Se essa proteção some, a
tendência é de mais oscilação dos dois lados ao mesmo tempo. “Os
Treasuries estão perto de um ponto de inflexão”, diz White.
Como ficam os investimentos no Brasil?
Na prática, o juro americano funciona como
um piso para o mundo inteiro. Se o título mais seguro do planeta passa a
pagar perto de 5% ao ano em dólar, todo o resto precisa pagar mais para
continuar atraente, e isso inclui o Brasil. O investidor estrangeiro que antes
trazia dinheiro para cá começa a achar que não vale a pena correr o risco de um
emergente por um prêmio que encolheu, e parte desse capital volta para os EUA.
“Isso muda toda a perspectiva do investidor
estrangeiro, principalmente; ele fica mais dividido. O mercado está olhando
muito para esse nível alto de juros nos EUA e com bastante preocupação, visto
que temos uma guerra em andamento”, observa Rafael Pastorello, gestor de
portfólio do Banco Sofisa.
Quando esse dinheiro sai, o dólar sobe, a bolsa
perde fôlego e o Tesouro brasileiro precisa oferecer taxas maiores para vender seus títulos. E a
taxa de juros local, que baliza de investimentos a financiamento imobiliário,
tem espaço menor para cair.
Tudo isso ajuda a engrossar o caldo de incertezas
com as quais o Banco Central brasileiro terá que lidar nesta quarta, quando
deve anunciar nova queda da Selic para 13,75%. Mas o mercado ainda aguarda o
comunicado para entender se novos cortes ainda virão, ou se o juro irá
estacionar nesse patamar elevado. “Esperamos um tom duro e sem
sinalização explícita sobre os próximos passos, o que consideramos acertado no
atual momento”, avalia Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
E o que o investidor deve fazer?
Para o investidor brasileiro, o efeito tem dois
lados: quem quer comprar renda fixa agora encontra taxas mais generosas,
especialmente nos papéis mais longos. Já quem comprou esses mesmos
papéis antes vê o preço deles cair no extrato, o que pode ser um
problema se precisar sair antes do vencimento (quem carrega até o fim recebe a
taxa contratada, independentemente do sobe e desce do caminho). Analistas veem uma janela para renda fixa de prazos maiores, mas
com o CDI ainda tendo seu papel.
No câmbio, o momento deve ser de cautela. “Juros em
queda no Brasil e em alta nos EUA reduzem, na margem, o diferencial de taxas
entre os dois países, o que pode trazer alguma pressão para o real“,
explica José Áureo, sócio e assessor da Blue3 Investimentos.
Já na Bolsa a tendência seria de mais pressão
negativa, tanto pela expectativa de lucro menor das empresas por conta do juro
local sem queda mais profunda, quanto pelo recuo das bolsas globais. Até aqui,
porém, a expectativa de Selic menor e o cenário eleitoral vêm sendo
preponderantes: o câmbio até piorou um pouco, mas a Bolsa conseguiu engatar
nova alta. Uma saída, recomendam analistas, é investir em empresas mais protegidas de volatilidade, que se
comportam mais como títulos de renda fixa.
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Fonte / Créditos: Equipe Infomoney / Publicado 16/09/2026
https://www.infomoney.com.br/onde-investir/eua-maior-juro-19-anos-motivos-como-afeta-brasil/
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No "New Space Economy" você vai acompanhar os conteúdos relacionados a Nova Economia Espacial, "a Space Economy". Editei este Blog movido por uma convicção simples: as decisões de negócios mais importantes da próxima década serão influenciadas, direta ou indiretamente, pelo que está acontecendo a 400 quilômetros acima de nossas cabeças. O espaço já é a infraestrutura crítica da economia global. A economia espacial moderna sustenta quase todos os pilares da vida moderna na Terra O New Space Economy é o seu terminal de dados para o que acontece acima da nossa atmosfera, agora traduzido para o idioma dos negócios. Acesse aqui: https://newspaceeconomy.blogspot.com/
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Web Science Academy; Hélio R.M.Cabral (Economista, Escritor eDivulgador de conteúdos de Economia, Astronomia, Astrofísica, Astrobiologia Climatologia). Participou do curso Astrofísica Geral no nível Georges Lemaître (EAD), concluído em 2020, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Em outubro de 2014, ingressou no projeto S'Cool Ground Observation, que integra o Projeto CERES (Clouds and Earth’s Radiant Energy System) administrado pela NASA. Posteriormente, em setembro de 2016, passou a participar do The Globe Program / NASA Globe Cloud, um programa mundial de ciência e educação com foco no monitoramento do clima terrestre.
>Autor de cinco livros, que estão sendo vendidos nas livrarias Amazon, Book Mundo e outras
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